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Sabia que o acidente ocorrido ontem na Ponte 25 de Abril pode ter sido um acidente de trabalho?

21/09/2016

Sabia que o acidente ocorrido ontem na Ponte 25 de Abril pode ter sido um acidente de trabalho?

(Imagem do acidente disponibilizada nas redes sociais - Facebook Grupo Operação Stop Lisboa)

 

 

O acidente ocorrido ontem (20 de setembro), pelas 18h00, na Ponte 25 de Abril, que envolveu dois camiões e três automóveis ligeiros e condicionou fortemente o acesso à Ponte, em Lisboa, pode ter sido um acidente de trabalho.

 

Um acidente de viação pode ser, simultaneamente, um acidente de trabalho se acontecer no local e durante o tempo de trabalho. Tratando-se de um motorista ou de qualquer outro trabalhador a trabalhar por conta de outrem, o conceito de acidente de trabalho abrange aquele que ocorre nos trajetos de ida ou de regresso ao local de trabalho.

O setor dos transportes rodoviários é, dentro da UE, um dos que encerra maiores perigos. As estatísticas de acidentes da base de dados europeia CARE mostram que, anualmente, morrem, nas estradas europeias, cerca de 10 000 pessoas. Estes números incluem, em média, 1300 motoristas de transportes de passageiros e veículos pesados de mercadorias.

O risco de acidentes rodoviários não é o único a que os motoristas estão expostos.

Para além das situações decorrentes da permanência do estado de segurança dos veículos e demais equipamentos de trabalho em utilização, refiram-se, por exemplo, o risco de desenvolvimento de problemas dorso lombares provocados pelo facto dos mesmos permanecerem sentados durante longas horas, o risco de lesão devido a quedas em altura durante a movimentação/manipulação de cargas e no processo de atrelagem de reboques.

Por outro lado, os motoristas enfrentam, ainda, condições ambientais adversas e exposição a perigos físicos como, por exemplo, o ruído, vibrações e também a exposição a substâncias perigosas.

Quando comparados com outros grupos ocupacionais, os motoristas apresentam elevado absentismo e incapacidades várias para o trabalho, tanto a nível psicológico (fadiga, tensão e sobrecarga mental, perturbações do sono, etc), como perturbações musculoesqueléticas (costas, joelhos, pescoço e ombros). 

Além disso, a pressão/gestão do tempo atribuído para a execução das tarefas/atividades pode provocar stresse relacionado com o trabalho, maus hábitos alimentares, perturbações do sono, pausas inadequadas e descanso insuficiente. Os longos períodos de trabalho com horários irregulares, a solidão, falta de envolvimento, agressão do público/clientes, de colegas de trabalho, de outros condutores ou utilizadores da via pública e/ou a separação da família e dos amigos, são outros aspetos relevantes e potenciadores de riscos psicossociais.

Seja a nível de contexto de transporte de passageiros, seja a nível de contexto de transporte de mercadorias, as condições organizacionais de trabalho devem assegurar que o trabalhador tenha acesso às indispensáveis condições de repouso e recuperação funcional.

 

 

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