Comunicação - Notícias

É preciso um sobressalto no país sobre acidentes de trabalho” - Entrevista a Pimenta Brás, Inspetor-Geral da ACT

05/04/2016

É preciso um sobressalto no país sobre acidentes de trabalho” - Entrevista a Pimenta Brás, Inspetor-Geral da ACT

 

A ACT vai lançar uma campanha no decurso deste ano sobre um problema que continua a tirar a vida a mais pessoas em Portugal do que na média da União Europeia. Pimenta Brás, Inspetor-Geral da ACT, vai convocar o Governo, parceiros sociais e os media para alertarem para o problema em conjunto.

 

Pimenta Brás responde a algumas questões sobre a pertinência da campanha em preparação:

 

Os acidentes de trabalho continuam a matar em Portugal. Qual é a dimensão do problema? 

Quando estamos a falar de acidentes de trabalho é de uma pessoa que morreu, de um projeto de vida que terminou ali. Depois é uma mancha de pobreza que vai alastrar. Quem morre geralmente são trabalhadores de parcos recursos. É um salário que vai deixar de entrar em casa, é uma pensão de alimentos, quando existe, quando o trabalho é declarado, que é miserável. O registo dos nossos acidentes de trabalho é fiável. Comparado com os nossos parceiros europeus, temos dos melhores registos de acidentes de trabalho na Europa, temos também uma taxa de incidência de acidentes de trabalho que é das mais altas da União Europeia.

Porque é que isso acontece?

Porque tem de haver um sobressalto coletivo neste país para, de uma vez por todas, olharmos para os acidentes de trabalho. Defendemos, há muito tempo, a inserção destas matérias de acidentes de trabalho nos curriculos de base do ensino básico, secundário e superior, o que já acontece nos países mais desenvolvidos do que nós. Enquanto isto não acontecer, esta questão cultural não muda. 

Mas os empresários poupam dinheiro na segurança? 

Claro que poupam. Os empresários, não os patrões. Só merece esse nome quem trata a pessoa com dignidade. Temos ainda acidentes de trabalho em Portugal de pessoas a mudar uma lâmpada no tecto, que sobe os garfos do empilhador, os garfos tombam, a pessoa morre. Temos pessoas a morrer em Portugal ainda no corte de árvores - alguém que está a cortar uma árvore que cai em cima do colega que está ao lado a ajudar. Isto são questões inadmissíveis!

As pessoas não estão preparadas para as funções que desempenham, é isso?

Muitas não estão preparadas para a função que estão a exercer, não tiveram formação. Estamos a falar de patrões, não de empresários. 

É preciso uma campanha nacional? 

Este ano queremos arrancar com uma campanha. Tem de ser gizada em conjunto com os parceiros sociais, aliás, hoje tivemos uma reunião sobre essa matéria. Os órgãos de comunicação social têm aqui um papel fundamental porque os nossos recursos são escassos. Tem de haver um sobressalto coletivo que ultrapassa muito a ACT. Nós temos de melhorar a nossa forma de trabalho.

E portanto vão fazer mais inspeções este ano nesta área. 

Com certeza. E queremos divulgar quais os acidentes de trabalho mais típicos. Em Portugal não é a queda em altura: envolve um trabalhador e um equipamento móvel. Cobre muitos setores. Pode ser um camião, pode ser um empilhador. 

Foram retiradas à ACT competências na fiscalização das condições de trabalho no Estado. Sente que isso teve consequências? 

Não me posso pronunciar sobre algo que desconheço. O que posso dizer é que deixamos de fazer esses inquéritos de acidentes de trabalho que nos eram colocados pelas autarquias. Deixamos de poder acudir a questões que nos eram colocadas periodicamente por trabalhadores da administração direta e indireta do Estado. Portanto, temos aqui um problema, duvidando da capacidade de recursos humanos e materiais de outros organismos (públicos) para estas matérias. Há aqui uma desigualdade de tratamento (público/privado) e estavamos a fazer um trabalho razoável na Administração Pública nessa matéria.

 

Fonte: economico.sapo.pt

 

 

 

 

 

 

 

Voltar às notícias
Clique aqui - Ligamos Grátis Clique aqui
Ligamos Grátis